sábado, 9 de fevereiro de 2013

A RODA (texto em prosa - JAN)

Ouvi, de um PNE, que “a Inclusão é uma utopia”. 
...
Confesso que não gosto do termo “INCLUSÃO”... para mim, o verbo INCLUIR, foi assumindo uma conotação meio surreal. Questionei... observei... analisei... pensei... e vejo, como numa historinha infantil:
Uma enorme roda de adultos de mãos dadas... são pessoas NÃO PNES que trabalham em favor da inclusão do PNE na sociedade. De repente uma dessas pessoas larga a mão dos outros, vai lá fora, pega o PNE e empurra para dentro, sem perguntar se ele quer entrar e se os outros, os “normais”, vão querer recebê-lo. Ninguém ousa dizer “não!”, o que seria politicamente incorreto... mas não se sabe ao certo o que aquela pessoa tem... e então ninguém ousa pegar na mão dela, o que seria uma atitude temerária. Então a pessoa que saiu da roda leva o PNE até dentro dela e deixa-o lá... na berlinda e tão deslocado como um enfeite quebrado numa mesa de luxo... a pessoa não deficiente volta para a roda, e os outros normais abrem a roda para recebê-la com palavras elogiosas.
E se o PNE não observar as regras do “jogo”, seu “castigo” será a exclusão...


Eu não quero ficar na berlinda! Eu não quero ficar deslocada! Eu não sou uma “gata espichada”... nem tenho “boca de jacaré” ou “saia remendada”! Eu quero participar! Quero que me dêem a mão! Permitam-me ser útil como eu puder ser!


Visualizo a mesma cena e a pessoa que sai da roda pergunta se me aceitam e explica que não há perigo em me dar a mão, pois a minha deficiência não é contagiosa e eu sou uma pessoa bem educada. Depois ela vem até mim e pergunta se eu quero participar, pois minha vontade é muito importante. E eu vou de mão dada com ela... A roda se abre... uma mão forte segura a dela e outra, a minha... dançamos e cantamos todos juntos. Não há mais berlinda nem castigo.
Eu soube que até o nome do “jogo” mudou: agora se chama Interação.   
Interagir sugere algo harmonioso e a plena aceitação da PNE que sou eu.


        
E, agora, percebo que não é preciso esperar alguém me buscar... eu vou por mim mesma... nem que seja virtualmente.

13 comentários:

  1. Queria ter te conhecido há uns 3 anos atrás. Organizei uma blogagem coletiva sobre inclusão social de deficientes, e a sua participação seria muito enriquecedora. Qual é a proposta desse blog? Vai fazer resenhas de livros? (achei que seria essa a intenção por causa do nome e-library) Beijos e boa sorte!

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    1. Oi Alê!
      A proposta do blog: há uma página/guia (acima do post)que explica como vai funcionar e tudo o mais... mas é bom vc me avisar quanto à visibilidade das coisas na 'vitrine'e eu vou adequando ;-)
      Inclusão... é difícil e não satisfaz... é quase uma utopia mesmo.

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    2. e eu gostaria de ter participado dessa BC. Tenho tanto a dizer...

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  2. ops! deficiente nã rss portadores de necessidades especiais.

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    1. A nomenclatura é complicada... pra que dourar a pílula, se ela continua sendo dura de engolir...?
      Portadores de Necessidades Especiais são subdivididos entre entre Deficientes Físicos (eu) e Deficientes Mentais... ou seja...
      Acho que o respeito pelas pessoas não está na nomenclatura...

      Sou deficiente sim (com pesar), mas procurando manter a dignidade a cada dia.

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  3. Mais um blog seu, Jan... Que maravilha!!!

    Beijos no coração

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    1. Pois é Daiana, que "marrrrravilha" ;-).

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  4. Olá Jan, adorei já de cara seu novo blog.
    Depois volto com mais tempo agora vou sair um pouquinho, quando teclo muito meu braço começa a reclamar, nem era para ficar o tempo todo aqui, meu medico disse para que maneirasse um pouco, mas quem disse que obedeço,kkkkkk.
    Parabéns por seus dois anos de blog e por este novo que esta se encaminhando para ser um sucesso. Fiz um selinho para você, quando der passa lá em casablog.
    Beijinhos.

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  5. Olá Verinha!
    Este é meu bloguinho, que ainda está apenas engatinhando. Mas, com a ajuda de parceiros, ele será grande...
    É bom obedecer aos médicos... no meu caso, doem as costas e a bunda... e tenho que me deitar pra esticar a coluna e... "vale a pena ver de novo"?;-)

    Será que vc tem início de tendinite, ou LER?
    te cuida, muié! ;-))

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  6. Certas nomenclaturas não se adequam aos conceitos que sugerem.Concordo contigo, Jan, o termo inclusão por si só,carrega a exclusão sub-entendida.
    E lá vamos nós "espalhando livros à mão cheia..."
    Bjkas,
    Calu

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  7. Oi Calu! Bom dia!
    Tenho uma opinião muito particular: acho que a INCLUSÃO funciona para Deficientes MENTAIS.
    A acessibilidade arquitetônica é um Direito, facilitador desta INCLUSÃO, assim como da INTERAÇÃO (ato volitivo) do deficiente FÍSICO ou SENSORIAL, ou seja, aquele deficiente que (presume-se...)tem condição de avaliar suas possibilidades de ir e vir (custo/benefício, inclusive psicológico).

    Ah... como seria bom se o mundo inteiro me entendesse...;-)

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  8. Oi Janice. Eu compartilho da sua opinião sobre Inclusão. Sem ser deficiente física, em vários momentos da minha vida fui portadora de uma necessidade especial e senti na carne o que vocês passam, por exemplo: quando quebrei meu pé, quando saí da clínica com um tampão no olho,quando precisei sair do meu prédio numa maca, quando usei carrinho de bebê para sair com meus filhos, e se eu viver mais um tempo vou precisar de cadeira de rodas e/ou de andador como qualquer anciã. E cadê a acessibilidade? Será que esses arquitetos e planejadores urbanos nunca torceram o pé? Nunca tiveram um avô bem velhinho usando bengala? Tem paciência...
    Vou te mandar um texto para a tua biblioteca. Parabéns pela exploração tecnológica... tá esperta essa guria!
    Beijos querida.
    Marilda

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  9. Marilda, essa questão de acessibilidade é um problemão... já vi cada coisa!!!! já me vi em cada situação que nem é bom lembrar...;-)
    mas... estou ficando velha(e muito otimista...)e quero mais é 'virtualizar' a vida.

    Reli o texto e gostei muito... "JÁ É".

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