domingo, 1 de setembro de 2013

COTINHA - texto em prosa - Jan

Ela morava em um grande jardim.
Dentro da casa atrás do jardim, moravam seus donos. Olhando para a casa, a balzaqueana Cotinha cacarejou, enquanto ciscava por ali.
Seu miolinho de galinha quase fundiu, mas ela se lembrou do passado e até conseguiu traçar alguns planos para o futuro:
—Os humanos nunca mais terão coragem de me comer. Deixaram passar várias oportunidades, mas eu não vou deixar passar nenhuma e vou viver minha vidinha da melhor maneira possível.
—A propósito, parece que aquele gato na janela do apartamento vizinho está me paquerando... Quais serão as intenções dele?
Seu cérebro pequeno e limitado cansou de cismar, e Cotinha voltou a ciscar. Depois de alguns minutos voltou a cismar e lembrou-se do tempo em que vivia num galinheiro e era uma jovem franguinha.
—Ah, como era bom! Lá havia frangos e até galos. Os humanos cuidavam do galinheiro e eu só me preocupava com a cozinheira, até que virei bicho de estimação... mas meu instinto não é ser bicho de estimação. Sinto-me deslocada.
      Cotinha concentrou-se em sua distração de ciscar, até que um barulho a desconcentrou. Olhou e viu sua dona saindo da cozinha, usando um grande avental branco e empunhando um facão. Temerosa por instinto, ela se encolheu num canto e cismou consigo mesma, com certa dose de orgulho:
—Tenho que tomar cuidado, pois ainda dou um bom caldo!
A “dona” se aproximou, enfiou a mão no bolso do avental e tirou um punhado de milho, que atirou ao chão para alimentar Cotinha. Depois, fazendo-lhe um agrado recomendou que não estragasse o jardim e voltou a entrar na cozinha.
Ainda encolhida no canto, Cotinha dirigiu o olhar para a janela do apartamento vizinho e, vendo-a fechada, duvidou da sua própria sanidade:
—Será que lá havia mesmo um gato me paquerando???

—Será que eu ainda daria um bom caldo???

6 comentários:

  1. Ah! Cotinha! Desconfie de seu pensamento. Duvide do seu convencimento e cuide-se bem. O perigo está sempre a espreita de quem se ilude ou baixa a guarda!
    Eu lembro que contava uma historia da carochinha para a filha. Historinha cruel, hoje não contaria nem pra neto, se o tivesse. Era um galo e a baratinha que queria casar. E foi logo escolhendo o galo de penas bonitas e coloridas. Não deu outra. O galo.... comeu a baratinha. rs
    Jan, seu texto é lindo e reflexivo. Dá pra ler várias vezes e descobrir vários segredos entrelinhas.
    bj zizi

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  2. Rsssssssssssss...Gostei da história e dos questionamentos da Cotinha,rs beijos,tudo de bom, linda semana! chica

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  3. Como você é muito simpática ninguém vai te fazer mal
    Você nos conquistou com a sua estórinha
    Gostaríamos de te convidar para comer um pedaço de bolo e tomar um café, lá no blog "Bichinhos Amados"
    Beijinhos e o nosso carinho de
    Verena e Bichinhos


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  4. Ahhhhhhhhhhhhh que genial Jan!
    Adorei a historinha da Cotinha, e que sorte a dela que virou bichinho de estimação... Vai ver que o gatinho estava mesmo apaixonado por ela. rs

    Lindinha sua história, fofa demais!
    Bacios cara mia

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  5. Olá Jan,
    tadinha da Cotinha. Quero ela pra mim, agora kkk
    por favor não deixe fazer nenhum mal a ela kkk

    Abraços minha amiga.
    Ótima semana para você!

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  6. Olá!Boa tarde
    Jan
    que sublime...
    gostei da Cotinha, mesmo se sentindo "deslocada", ela sabe que viver é estar a deriva, isto significa que não temos controle sobre a vida. O perigo vem de onde menos esperamos.Sabendo disso, só nos resta pensar com cautela para tentar fazer as melhores escolhas, as que nos pareçam construtivas e então, desenvolver a predisposição para receber o que a vida nos trouxer.
    ...agradeço pelo carinho
    Bela semana
    beijos

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