quarta-feira, 2 de julho de 2014

TERMINA UMA FASE - do livro OI, BICHO!

 XVII – TERMINA UMA FASE

           Agora, que já me recompus, posso retomar:
Certa noite, tive um pesadelo. Pela manhã, quando fiz a ronda diária no quintal, constatei que o “pesadelo” era realidade...
A Mine, que já vinha apresentando distúrbios hormonais desde há muito tempo, me pareceu ter piorado, pois estava bastante enfraquecida e desanimada.
O Veterinário esteve aqui, examinou-a atentamente e falou, preocupado, que teria que providenciar uma ecografia de abdome.
Diante do resultado, sentenciou o diagnóstico: Resumindo, a Mine tinha pouco tempo de vida.
Um dia, vi o corpo enorme da minha ‘grandoninha’ saindo daqui sem vida, numa grande maca: seria cremado.
Fiquei muito triste com a morte precoce dela, mas aceitei o fato consumado.
Imediatamente, passei a me ocupar mais com a Dan, pois a “menininha” ficara desnorteada, sem a “irmã mais velha”.
A osteoartrite que nascera com ela, apesar de incurável, estava sob controle e ela passou a guardar a casa com maior desvelo do que antes. Dan, então, passou a ser minha proteção, lá fora na escuridão... A ‘pequeninona’ se revelava! Por outro lado, ficou mais ligada a mim e eu a ela.
Uns sete meses depois, a doença da Dan fugiu ao controle. Fiquei apavorada ao vê-la vomitando e convulsionando. A osteoartrite atingira a coluna vertebral e a medicação engolida diariamente, durante cinco anos, afetara-lhe o fígado...
Minha ‘pequeninona’ andava  devagarinho e abaixadinha. Não conseguia chegar ao portão e seus olhos tristes pareciam me pedir, ao mesmo tempo, socorro e perdão. Emagreceu vertiginosamente e a pelagem perdeu o brilho costumeiro, tudo em um mesmo dia. Passou a tomar novos medicamentos...
Eu sofria com o sofrimento dela. O veterinário fez o melhor que pode, mas ela sofria a cada dia mais...
Numa manhã, senti que chegara a hora: optei pela eutanásia e fiquei por perto, para que ela me visse no momento final.
Hoje posso dizer que a eutanásia é um recurso moralmente legítimo, mas que só pode ser utilizado como último recurso, visando eliminar o sofrimento sem sentido de um animal doméstico.
Doeu muito ver a Dan parar de respirar e, depois, ver seu corpo sendo levado pelo veterinário, mas não me arrependo da decisão: ela não tinha como vencer a doença, morreu dormindo em casa e não sofreria nunca mais. E mais, dormiu, como sempre, cercada de carinho, atenção e cuidados.
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Pois é...
Num mesmo ano, os quatro bichos que viviam aqui, se foram e deixaram uma saudade imensa.
Particularmente, acho que os animais não foram dotados de espírito, mas sim de alma (no sentido psicológico) e energia. Energia que trazem em si mesmos e, também, aquela que captam dos humanos com os quais tenham convivido.
Quando os animais morrem, sua energia abandona o corpo sem vida e se incorpora à natureza viva, enquanto durar nossa saudade ou até quando nossa fantasia permitir.
    Theo virou nuvem e fica por aqui...Mas, às vezes, 
ele dá uma “voadinha” pelo firmamento... ;-) 

 Ali, do outro lado da rua, há duas grandes árvores olhando para mim e por mim: 
Uma é a Mine; 
e, a outra é a Dan...


Dia destes, eu viajei até uma cidade vizinha e, ao lado da estrada vi um 
córrego transparente, rápido e alegre. Repentinamente, pensei no Tom feliz, 
correndo e pulando livre, leve e solto, por esse “mundão” de Deus...
   

      Era tão bonito ver o Tom pular e correr! E aquele riacho era tão bonito!
    Como aquele córrego, Tom correu sem medo rumo ao destino que a vida lhe reservou e me deixou sem saber qual seu rumo.

2 comentários:

  1. Linda historia nos mostra que também temos que ter coragem para tomarmos certas decisões na vida. Eu também gosto de escrever.Bjos estou te seguindo. Bom fim de semana.

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  2. Não foi fácil, Ju!
    Mas quando aceitamos a companhia de um pet, tornamo-nos responsáveis pela qualidade da vida e da morte deles.

    Abração
    Jan

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